Câncer de mama: mastectomia como é feita e quando é indicada?

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Receber o diagnóstico de câncer de mama pode ser um momento muito difícil para muitas mulheres.

Para algumas é como se uma bomba caísse em seu colo e, diante do diagnóstico, também surgem muitas preocupações e inseguranças em relação ao tratamento, saúde, sexualidade e muitos outros fatores.

O câncer de mama é a neoplasia maligna mais incidente na população feminina brasileira depois do câncer de pele não melanoma. O risco estimado é de 43,74 casos a cada 100 mil mulheres em 2020, segundo os dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA).

Com o início do tratamento, a sua jornada começa e, com ela, uma série de mudanças e variações nas suas vontades, nos seus desejos e até nos seus sentimentos.

Por isso, é importante saber que você não está sozinho. Além de toda a equipe médica, você tem seus familiares, amigos e grupos de apoio.

Os dados do INCA demonstram a importância de se falar sobre o câncer de mama e os tratamentos disponíveis.

Atualmente, uma das principais formas de combater o câncer de mama é a mastectomia. Sabemos que a remoção cirúrgica parcial ou total da mama é um assunto delicado e que levanta uma série de questões pessoais para as mulheres.

A possibilidade da perda de uma mama leva a sentimentos de medo, insegurança e muitas dúvidas.

Por isso, o FazBem trouxe esse assunto para o blog. Queremos te ajudar a entender o que é, os tipos de mastectomia, quando ela é indicada e como funciona a recuperação. Confira!

O que é a mastectomia?

A mastectomia é um procedimento cirúrgico para a remoção de uma ou ambas as mamas, que na maioria das vezes, está indicada para pessoas diagnosticadas com câncer.

A mastectomia pode ser realizada quando:

  • A mulher não pode ser tratada com cirurgia conservadora que poupa a maior parte da mama;
  • Se uma mulher preferir a mastectomia à cirurgia conservadora da mama por motivos pessoais;
  • Para mulheres com alto risco de desenvolver um segundo câncer de mama que, às vezes, optam pela mastectomia dupla (remoção de ambas as mamas).

Você já deve ter ouvido falar desse último caso de mastectomia, pois essa foi a decisão que Angelina Jolie, a famosa atriz de Hollywood, tomou como ação preventiva para diminuir o risco de desenvolver câncer de mama.

Tipos de mastectomia

O mastologista pode fazer uma mastectomia, preservando ou não a pele, aréola e mamilo.

Por isso, existem diferentes tipos de mastectomia que se diferenciam com base na forma como a cirurgia é realizada e na quantidade de tecido removido.

Confira os 6 tipos de mastectomia existentes, segundo o Instituto Oncoguia:

1.    Mastectomia simples

Nesse procedimento, é removida toda a mama, incluindo o mamilo, aréola e pele. Dependendo da situação, alguns linfonodos axilares podem ser retirados. A maioria das mulheres recebem alta hospitalar no dia seguinte ao procedimento.

2.    Mastectomia poupadora da pele

Nesse procedimento, a maior parte da pele da mama é preservada. Apenas o tecido mamário, mamilo e aréola são removidos. A quantidade de tecido mamário removido geralmente é a mesma que numa mastectomia simples.

Nestes casos, implantes ou tecido de outras partes do corpo são usados para reconstruir a mama. Muitas mulheres preferem este tipo de mastectomia porque tem a vantagem do tecido cicatricial ser menor e a mama reconstruída parecer mais natural. Este tipo de mastectomia pode não ser adequado para tumores maiores ou aqueles que estão próximos da superfície da pele.

O risco de recidiva local com este tipo de mastectomia é o mesmo que com outros tipos de mastectomia. 

3.    Mastectomia poupadora do mamilo

Este procedimento é uma variação da mastectomia poupadora de pele. É uma opção para mulheres que têm um tumor pequeno em estágio inicial próximo à parte externa da mama, sem sinais de doença na pele ou perto do mamilo.

Neste procedimento, o tecido mamário é removido, mas a pele da mama e o mamilo são preservados. Este procedimento é seguido pela reconstrução mamária. Muitas vezes, o cirurgião remove o tecido mamário sob o mamilo e a aréola durante a cirurgia para verificar se existem células cancerígenas. Se for diagnosticado câncer neste tecido, o mamilo deve ser removido.

Ainda existem alguns problemas com esse tipo de cirurgia poupadora de mamilo, por exemplo, o mamilo não tem um bom suprimento de sangue, por isso às vezes pode murchar ou ficar deformado. Como os nervos também são seccionados, há pouca ou nenhuma sensibilidade na mama. Para as mulheres com mamas maiores, o mamilo pode parecer fora do lugar após a reconstrução.

Como resultado estético, essa cirurgia parece ser melhor em mulheres com mamas de pequeno a médio porte.

4.    Mastectomia radical modificada

A mastectomia radical modificada combina a mastectomia simples com a remoção dos linfonodos auxiliares.

Ou seja, ela inclui a retirada de toda a mama, inclusive de grande parte da pele, incluindo aréola, mamilo e toda glândula mamária, mas preserva a musculatura que está abaixo da mama. Nesse procedimento, também se remove toda a cadeia de gânglios axilares.

5.    Mastectomia radical

Neste procedimento, o cirurgião remove toda a mama, os linfonodos axilares e os músculos peitorais (parede torácica) que se encontram atrás da glândula mamária. Atualmente, essa cirurgia é raramente realizada.

Essa cirurgia ainda pode ser feita para tumores grandes que estão invadindo os músculos peitorais. 

6.    Mastectomia dupla

Se a mastectomia é feita em ambas as mamas, é denominada mastectomia dupla ou bilateral. Esse procedimento é, muitas vezes, considerado como uma cirurgia preventiva para mulheres com alto risco de desenvolver câncer na outra mama, como àquelas que têm uma mutação no gene BRCA.

Quando a mastectomia é indicada?

Assim como o diagnóstico do câncer é único e exclusivo e possui particularidades diferentes para cada paciente, a escolha do tratamento também será de acordo com as necessidades de condições do paciente.

Dessa forma, o mastologista, junto com o cirurgião plástico, serão os profissionais qualificados para indicar o tipo de tratamento para o câncer.

A American Cancer Society ressalta que o cirurgião mastologista sempre vai optar por realizar o tratamento equilibrando a segurança e a estética ou função para a paciente. [5]

Ou seja, realizar a cirurgia de forma que elimine o câncer ao máximo, mas procurando proporcionar o menor dano físico e estético para a paciente.

Por isso, muitas mulheres com câncer de mama em estágios iniciais podem escolher entre uma cirurgia conservadora da mama e a mastectomia. Segundo o Instituto Oncoguia, em princípio, a preferência é pela mastectomia como uma maneira de “tirar tudo o mais rápido possível”.

Mas o fato é que, a mastectomia não garante uma sobrevida maior ou uma chance de cura maior em relação à cirurgia conservadora da mama, podendo variar de paciente para paciente.

Vale ressaltar que, ainda segundo o Instituto Oncoguia, estudos que acompanham mulheres há mais de 20 anos mostram que, quando a cirurgia conservadora da mama é realizada junto com a radioterapia, o resultado é o mesmo de uma mastectomia. 

Dessa forma, a mastectomia da mama pode ser uma opção se você:

  • Não consegue fazer radioterapia;
  • Prefere uma cirurgia mais extensa para não fazer radioterapia;
  • Já fez radioterapia prévia na mama;
  • Já fez cirurgia conservadora da mama e a doença não foi completamente removida;
  • Têm duas ou mais áreas de câncer na mesma mama que não estão próximas o suficiente para serem removidas sem alterar a aparência da mama;
  • Tem um tumor maior que 5 cm ou um tumor grande em relação ao tamanho de sua mama;
  • Está grávida e precisa fazer radioterapia durante a gravidez, com risco para o feto;
  • Tem um fator genético, como uma mutação BRCA, que pode aumentar sua chance de um segundo câncer;
  • Tem uma doença importante do tecido conjuntivo, como esclerodermia ou lúpus, que pode torná-la sensível aos efeitos colaterais da radioterapia;
  • Tem câncer de mama inflamatório.

Uma das preocupações de uma pessoa que foi diagnosticado com câncer é sobre a recidiva da doença.

Quando um câncer é diagnosticado após o tratamento e depois de um período em que ele não pode ser identificado, chamamos de recidiva. Esse câncer pode voltar no mesmo lugar do corpo onde apareceu primeiro ou em algum outro lugar do organismo.

Para o caso do câncer de mama, é importante entender que fazer uma mastectomia em vez da cirurgia conservadora da mama mais radioterapia reduz o risco do desenvolvimento de um segundo câncer na mesma mama, mas não diminui a chance de metáteses para outros órgãos. [4]

Recuperação da mastectomia: o que esperar

De acordo com a American Cancer Society, em geral, as mulheres que fazem a mastectomia ficam no hospital por uma ou duas noites e depois vão para casa.

Já o tempo de recuperação da cirurgia vai depender de quais procedimentos foram feitos e algumas mulheres podem precisar de ajuda em casa. A maioria das mulheres deve estar razoavelmente funcional depois de ir para casa e, muitas vezes, pode retornar às suas atividades normais em cerca de 4 semanas.

O tempo de recuperação pode ser maior se a reconstrução da mama também for feita e pode levar meses para retornar à atividade completa após alguns procedimentos.

Uma informação importante que você não pode deixar de esquecer de perguntar ao seu médico cirurgião e equipe de saúde é sobre como cuidar do local e braço da cirurgia.

Geralmente, você, seus familiares e cuidadores receberão instruções escritas sobre os cuidados após a cirurgia, que segundo a American Cancer Society devem incluir:

  • Como cuidar do local da cirurgia e do curativo;
  • Como cuidar do dreno, caso esteja com dreno;
  • Como reconhecer sinais de infecção;
  • Orientações sobre como tomar banho após a cirurgia;
  • Quando ligar para o médico;
  • Quando começar a usar o braço do lado operado novamente e como fazer os exercícios para evitar rigidez;
  • Quando começar a usar um sutiã novamente;
  • Quando começar a usar uma prótese e que tipo usar;
  • Uso de medicamentos, incluindo medicamentos para dor e, possivelmente, antibióticos;
  • Qualquer restrição de atividades;
  • O que esperar sobre falta de sensibilidade, dormência na mama e no braço;
  • Que sentimentos esperar sobre a sua imagem corporal;
  • Quando agendar uma consulta de acompanhamento;
  • Programas de apoio. [5]

Lembre-se que, nesse momento, será importante a participação da família, parceiro(a) e amigos, para que você possa se sentir segura, acolhida e amada.

Chegamos ao final desse texto, esperamos que as informações compartilhadas aqui tenham sido úteis e ajudado a entender melhor o que é a mastectomia.

Conte, também, com o FazBem, no blog você encontra diversos conteúdos que te ajudarão com informações seguras e revisadas por profissionais da saúde para sanar suas dúvidas. Acesse o blog do FazBem e confira todas as nossas matérias!

 

 

 

 

Referências

  1. https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files/media/document/folheto-deteccao-precoce-mama-2020-atualizado-16-09_0.pdf
  2. http://www.oncoguia.org.br/folheto_download/21/#:~:text=Os%20c%C3%A2nceres%20de%20mama%20com%20receptores%20hormonais%20negativos%20n%C3%A3o%20t%C3%AAm,c%C3%A2nceres%20com%20receptores%20hormonais%20positivos.
  3. https://drauziovarella.uol.com.br/cancer/mastectomia-preventiva-nao-e-recomendada-para-todas-as-mulheres/
  4. http://www.oncoguia.org.br/conteudo/mastectomia-para-cancer-de-mama/6564/265/
  5. https://www.cancer.org/cancer/breast-cancer/treatment/surgery-for-breast-cancer/mastectomy.html
BR-13014. Material destinado a pacientes. Maio/2021

 

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