Conversando com crianças sobre câncer

Falar sobre o diagnóstico de câncer nem sempre é uma tarefa fácil, ainda mais quando envolve abordar o tema com crianças e adolescentes.

Por muitas gerações, o câncer foi tratado com grande tabu, até mesmo a palavra era evitada pelos mais velhos que costumavam falar “aquela doença”.

Hoje em dia, aos poucos, a postura tem sido mudada tornando-se mais comum ouvir falar sobre a importância de conversar com a família e amigos sobre a doença para que todos estejam cientes da questão e possam ajudar o paciente passar pelo tratamento.

Esse, talvez, seja um dos momentos mais difíceis de se enfrentar, a hora de contar à família sobe o diagnóstico de câncer, mas também é um momento muito importante, afinal, todos os membros da família são afetados pelo diagnóstico e a consciência sobre a doença é fundamental para o apoio geral.

E como contar para as crianças e adolescentes sobre o câncer?  

A resposta pode ser relativamente simples: ser sincero e o melhor caminho.

Sabemos que, na prática, essa tarefa é um verdadeiro desafio. Pensando nisso, separamos algumas informações que podem ajudar a entender e planejar a melhor forma de conversar com as crianças e adolescentes o seu diagnóstico.

Por que falar sobre o diagnostico câncer?

Antes de mais nada, precisamos lembrar que a decisão de contar ou não e de quando contar para as pessoas sobre o diagnóstico de câncer é completamente pessoal.

Para isso, vale uma reflexão sobre o quanto você já assimilou o que está acontecendo e de que maneira você entende que é importante falar sobre isso com outras pessoas.

Mesmo assim é inegável que o apoio de pessoas queridas pode contribuir com o tratamento, pois o apoio de pessoas próximas pode oferecer, ao paciente, uma motivação ainda maior para a realização de todo o tratamento e superação das fases mais difíceis.

Por isso, leve em consideração que não é necessário contar para todas as pessoas. Existem pacientes que preferem falar sobre o diagnóstico apenas para o núcleo mais próximo, como cônjuge e filhos.

Já outros que preferem contar para todas as pessoas e utilizam suas redes sociais para contar sua história. Essa decisão deve ser tomada com base naquilo que vá deixá-lo mais confortável.

Caso você opte por contar para a família sobre o diagnóstico de câncer, lembre-se que a melhor forma de conversar a respeito é sendo sincero.

Contar para as pessoas que se está com câncer pode ser tão difícil quanto receber o diagnóstico. Por mais desafiador que seja, é importante que haja uma conversa sincera e aberta entre os membros da família e amigos mais próximos.  

Todos precisam estar cientes das inúmeras modificações e adaptações na rotina da família, como será o tratamento, quais os possíveis efeitos colaterais entre outros fatores importantes relacionados ao tratamento.

As palavras escolhidas podem nem sempre ser as mais adequadas, mas nada é mais importante do que falar sobre o que está ocorrendo quando se sentir preparado.

Em alguns casos, é comum que o paciente marque uma consulta especial com o médico para esclarecer todos esses aspectos diretamente com o auxílio do especialista, que poderá tirar todas as dúvidas de forma mais compreensível e segura.

Vale lembrar que é completamente normal que o paciente sinta receio em contar para a família, afinal, o diagnóstico de qualquer doença desperta inúmeros sentimentos.

Medos e receios, como o de chorar ou se entristecer ao contar, são normais e esperados. Se quiser chorar, chore. Assim, você abrirá espaço para que os outros também manifestem suas emoções.

Além disso, nessa conversa pode ser positivo estabelecer alguns limites, dizendo claramente como deseja ser tratado e pedindo ajuda quando necessário.

Mas lembre-se que cada pessoa possui o seu tempo para assimilar a notícia. Para algumas pessoas, há um período de adaptação em que não sabem o que dizer ou fazer. À medida que elas se adaptam às suas notícias, podem querer estender a mão e ajudar.

Como conversar sobre o câncer com crianças e adolescentes

Muitos pais sentem dificuldade em conversar com os filhos sobre o câncer. Já falamos, ao longo do texto, que o diagnóstico de uma doença grave afeta a família, incluindo as crianças e adolescentes.

Alguns pais preferem não contar e essa decisão é compreensível, afinal, é muito comum ter o sentimento de que crianças e adolescentes precisam ser protegidos de notícias ruins, mas é importante refletir que deixá-los de fora de todo esse processo pode ser ainda pior.

É importante ter em mente que os filhos percebem que algo difícil está acontecendo, as pessoas ao seu redor estão tristes e a rotina não está normal. Tentar esconder pode deixá-los confusos, inseguros ou com sentimento de culpa, fazendo com que eles se sintam isolados e excluídos das questões familiares.

E, a partir do momento em que seus filhos estão cientes da verdade, eles terão a chance de lhe fazer perguntas sempre que surgirem dúvidas e poderão ser confortados quando sentirem medo.

Para conversar com as crianças e adolescentes é necessário que o adulto esteja estabilizado emocionalmente. Isso não quer dizer que não pode chorar, mas a estabilidade emocional é importante para passar segurança a eles.

O que falar e quanto você dirá a seus filhos dependerá da idade deles.

Conversando com as Crianças

Planeje a conversa e decida como irá dar a notícia e o que vai falar. Muitos optam por ter essa conversa em conjunto ou com algum outro adulto em que a criança confie.

O Instituto Oncoguia separou algumas dicas que podem ajudar no momento da conversa com a criança. Confira:

  •  Seja direto: deixe claro que a doença se trata de um câncer. Diga como a doença se desenvolve e o porquê dos sintomas. Esclareça que a doença não transmissível, que eles não causaram o seu câncer e não podem fazê-lo desaparecer;
  • Adiante os possíveis efeitos colaterais: prepare as crianças para os possíveis efeitos colaterais da doença. Conte que seu cabelo pode cair e que seu humor pode mudar repentinamente. Seja honesto e não esconda nada deles, conte até mesmo quando precisar se ausentar para ir ao médico ou hospital;
  • Tranquilize as crianças: deixe claro que vocês farão o possível para manter a rotina da família, mas que talvez você não possa fazer tudo como antes. E que, enquanto você não se recuperar do tratamento, outras pessoas irão ajudá-los na manutenção dessa rotina;
  • Estabeleça os limites: não se sinta culpado. Ninguém fica doente porque quer. Não tente compensar a doença e as possíveis mudanças na rotina com guloseimas, brinquedos extras ou televisão fora de hora. Mantenha a rotina e os limites sempre que possível;
  • Incentive a informação: faça com que as crianças se interessem em saber mais sobre a doença. Responda dúvidas e, se possível, leve-os em alguma consulta ou deixe que acompanhem alguma etapa do tratamento;
  • Seja otimista: mesmo se você estiver triste, desapontado ou até mesmo assustado, tente manter certo positivismo durante suas conversas com as crianças. Tudo que os pais sentem acaba passando para as crianças. Deixe claro que os médicos estão fazendo o melhor por sua saúde. Tranquilize-os, mas sem fazer promessas sobre o futuro;
  • Conte para as pessoas que convivem com o seu filho: professores, médicos e outros adultos que convivem com o seu filho precisam saber sobre o diagnóstico. Mudanças em casa acabam refletindo no comportamento das crianças em outros ambientes, por isso é importante que outros adultos que convivam com seus filhos saibam o que está acontecendo na sua casa.

Conversando com Crianças Maiores e Adolescentes

Embora muitos conselhos sobre como falar com crianças também sirvam para ajudar a falar com os mais velhos, essa faixa etária (10 a 18 anos) necessita de cuidados especiais.

Mais informados pela televisão e outros meios, essas crianças maiores tendem a ser conscientes sobre a gravidade da doença e podem precisar de mais informações do que as crianças menores. Confira as dicas do Instituto Oncoguia:

  • Seja sincero: esconder os fatos pode levar a uma perda de confiança por parte das crianças. Mesmo que você não queira deixá-los preocupados, você precisa deixá-los a par do que está acontecendo;
  • Faça reuniões de família: sempre que possível, deixe as crianças mais velhas e adolescentes participarem das reuniões de família e possíveis negociações sobre assumir tarefas domésticas que você não estará apta para realizar durante o tratamento;
  • Esclareça dúvidas: nessa faixa etária as crianças já ouviram falar sobre a doença, por isso, podem ter mais medos, preocupações e receio sobre o futuro. Mostre que o câncer tem cura e que muita gente vive bem com a doença por anos. Deixe claro que, não importa o que aconteça, elas estarão sempre seguras. Além disso, elas podem ter medo de desenvolver a doença também. Aproveite para incentivá-las a ter uma vida mais saudável e fazer exames de rotina regularmente;
  • Livros e outros meios de informação: falar sobre o câncer pode ser difícil. Se achar necessário, procure livros que falem sobre o assunto ou até mesmo procure pessoas de fora para ajudar na comunicação. Amigos, parentes ou até mesmo profissionais podem ajudar a fazer seu filho a entender certas coisas da doença.

Independentemente da idade, incentive seus filhos a fazerem perguntas e depois faça o possível para respondê-las de maneira simples e honesta. Diga a eles como você está se sentindo e incentive-os a expressar seus próprios sentimentos e preocupações.

Conforme o tempo passa, novas questões, situações e sentimentos vão surgindo. Mantenha-os atualizados sobre o que está acontecendo, mesmo que eles não perguntem.

E procure ajuda profissional para você e sua família, se sentir necessidade. Lembre-se que você não precisa enfrentar isso sozinho!
 
 
 
Referências:
  1. https://www.ovariancancer.net.au/page/132/partner-family-member-carer-or-friend
  2. http://www.oncoguia.org.br/conteudo/conversando-com-sua-familia-e-amigos-sobre-o-cancer/2650/491/
  3. https://vencerocancer.org.br/dia-a-dia-do-paciente/como-contar-aos-filhos-o-diagnostico-cancer/
  4. http://www.blog.saude.gov.br/index.php/promocao-da-saude/54035-apoio-familiar-e-suporte-medico-sao-fundamentais-no-tratamento-de-cancer
  5. http://www.oncoguia.org.br/conteudo/como-falar-sobre-o-cancer-com-o-meu-filho/1049/314/
  6. https://revista.abrale.org.br/como-falar-sobre-cancer-com-as-criancas/#:~:text=Ao%20falar%20sobre%20o%20diagn%C3%B3stico,as%20consultas%20m%C3%A9dicas%20constantes%20etc.
  7. http://www.oncoguia.org.br/conteudo/entrevista-como-conversar-com-o-meu-filho-sobre-o-cancer/415/8/
  8. http://www.cccancer.net/comportamento/conversando-com-familiares-e-amigos/
BR-12230. Material destinado a pacientes. Abr/2021
 
 
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